Quarta-feira, 30 de Maio de 2012

Um Autor Convidado

Um sentido de memórias?

Isa Pinho, educadora ambiental

 

Com os sentidos conseguimos compreender o mundo que nos rodeia... Conseguimos ver novas cores, sentir novas texturas, descobrir novos sabores, ouvir novas notas e cheirar velhas recordações.


Sim, com os sentidos apreendemos tudo o que nos rodeia, mas também é com eles que fazemos as mais inacreditáveis viagens mentais... Neste aspeto o olfato é, provavelmente, o sentido por excelência... Quem não reconhece imediatamente o cheiro de café? Quem não sabe qual é o cheiro da primeira chuva após o verão? Quem não reconhece e identifica o cheiro de pessoas que já não estão perto de nós? O efeito deste sentido é imediato... Sem nos darmos conta somos imediatamente transportados pelas mais incríveis viagens mentais de memórias e recordações, de velhas histórias de infância... e mesmo fisicamente longe há uma sensação de proximidade! É isso que me acontece quando entro na casa onde passei grande parte da minha infância, reconhecendo imediatamente um perfume familiar. O olfato está ligado ao sistema límbico do nosso cérebro, que é o responsável pelas emoções.

 

Desde o inicio dos tempos que o Homem reconhece importância aos cheiros, usando para isso as plantas aromáticas que a Natureza lhe colocava à disposição. De facto, segundo alguns livros, a utilização das plantas aromáticas eram utilizadas para alimentação e efeitos curativos. Desde esta época que se faziam sacrifícios aos deuses, queimando plantas aromáticas com bom cheiro, pedindo assim proteção.

 

Foram encontrados registos do antigo Egito, com inúmeras referências ao uso de óleos essenciais, resinas, especiarias, entre outros, para utilização nos embalsamentos, para estudo astrológico, para a preparação de perfumes ou medicamentos. Segundo a história, Cleópatra utilizava regularmente e de modo sedutor perfumes e óleos essenciais e queimava frequentemente plantas, devido ao fumo odorífico que as mesmas libertavam.

 

Se pensarmos na história bíblica da viagem de oferta de prendas ao recém-nascido, em que ofereceram ouro, mirra e incenso, conseguimos entender o significado das plantas aromáticas já naquela época, sendo que o incenso representa a divindade. Na realidade, o incenso não é mais que plantas aromáticas queimadas e cujo fumo liberta um odor agradável.

 

Recentemente, e de modo casual, deparei-me com este fascinante mundo dos cheiros e propriedades das plantas aromáticas que têm na sua composição um óleo, que funciona não só como um método de atração para as espécies polinizadoras, mas também para afastar potenciais inimigos, pois ao nível do paladar são extremamente desagradáveis.

 

Mas não é só ao nível do olfato que as plantas aromáticas podem ser utilizadas. Muitas destas espécies têm também propriedades medicinais. Hipócrates, considerado “o pai da medicina” tinha um vasto conhecimento acerca das propriedades medicinais das plantas, tendo inclusive realizado várias viagens procurando aprofundar este conhecimento.

 

Ao conhecer um pouco mais acerca dos métodos de extração dos óleos essenciais das plantas, da história das confeção dos perfumes, da possível utilização na farmacêutica, cosmética, aromaterapia, culinária, entre outros, fui uma vez mais surpreendida pela Natureza e com tudo aquilo que ela nos coloca ao dispor sem que nos apercebamos do mesmo.

 

A biodiversidade da flora, a nível mundial, é imensa, no entanto muitas espécies ainda permanecem desconhecidas para o mundo científico... e enfrentam muitas ameaças, sejam elas a desflorestação, a introdução de espécies invasoras, que vão ocupando gradualmente os habitats, os incêndios, entre tantos outros fatores, que vão silenciosamente colocando em perigo as espécies de flora. Calcula-se que no planeta habite entre 5 a 100 milhões de espécies, no entanto, ainda só estão identificadas 1,8 milhões de espécies.

 

É possível que à velocidade com que os habitats se transformam atualmente, devido essencialmente à pressão humana, desapareçam espécies que ainda nem haviam sido identificadas, perdendo-se assim todo um potencial de utilizações que nunca viremos a descobrir... é que a Natureza é perfeita, mas quando uma espécie desaparece é para sempre!

publicado por Dept. Educacional do Zoomarine às 00:00
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