Recorde de presenças
Com o intuito de identificar e, eventualmente, contabilizar o número de jaguares existentes no parque natural de Madidi, na Bolívia, uma equipa da Wildlife Conservation Society instalou uma câmara escondida e esperou.
Para alegria da equipa, 19 jaguares diferentes foram contabilizados e corretamente identificados, tornando este no recorde nacional de identificação com apenas uma única câmara. Ao conhecer a densidade e as áreas de cada habitat dos jaguares, a equipa espera definir estratégias para uma gestão efetiva da área do parque, uma das áreas naturais de maior biodiversidade no mundo.
Presente em todas as marisqueiras que se prezem, a santola (Maja squinado) é considerada uma iguaria culinária. No seu meio natural, habita geralmente fundos arenosos ou rochosos até aos 50m de profundidade. Para se camuflar coloca algas, esponjas e pequenas pedras e conchas sobre a sua carapaça, passando, desta forma, mais despercebido aos seus predadores.
Os ataques do camarão-louva-a-deus (Odontodactylus scyllarus) são motivo de estupefacção no reino animal. Este pequeno crustáceo tem, somente, os socos mais rápidos do planeta, atingindo velocidades de 10 m/s, o equivalente a um tiro de espingarda.
Conservação dos Recifes de Coral
A National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), um organismo estatal norte-americano responsável pela gestão dos recursos marinhos, tem em curso um projecto de conservação (Coral Reef Conservation Program) que procura fazer a gestão para a preservação, manutenção e restauro dos valiosos ecossistemas de recifes de coral para as gerações futuras.
A página electrónica do projeto permite, a todos os interessados e curiosos pela temática, conhecer os detalhes das suas linhas de atuação, assim como aceder a inúmeros documentos e informações acerca dos corais e da sua importância ecológica.
Os Inimigos do Povo
Élio Vicente, biólogo marinho
Este título poderia referir-se a impostos. A doenças. Aos grandes grupos económicos.
Poderia ser uma piadola adolescente dirigida a alguns políticos... Poderia ser uma pueril divagação sobre algumas utopias filosófico-religiosas.
Mas, infelizmente, este título é (e foi) dedicado aos... pardais!
Isso mesmo, aos pardais, as pequenas e omnipresentes aves da família Passeridae, que tão comuns são em quase todas as cidades, vilas e aldeias deste nosso planeta. Cosmopolitas, de muito fácil adaptação a novos habitats (até minas...), são o grupo de aves com maior distribuição geográfica em todo o planeta. O Zoomarine, não sendo nem cidade nem vila nem aldeia, não é excepção.
É certo que existem algumas dezenas de espécies - mas para muitas pessoas, tal facto é irrelevante. E, por exemplo, para Mao Tsé-Tung, o ditador chinês, todas elas eram espécies a mais. Segundo o homem que geriu, com punho (e não só) de ferro a grande potência asiática, cada pardal (essencialmente, Passer montanus) consumiria, a cada ano, cerca de 4,5 quilos de grãos (além de destruir parcialmente as plantações). Segundo este raciocínio, cada milhão de pardais comeria o alimento de 60'000 (isso mesmo, sessenta mil) pessoas.
Assim, a ideia surgiu. Era "simples" e, claro está, supostamente "inteligente". Portanto, seria eficaz. Integrada numa campanha com 4 frentes ("A Campanha das Quatro Pestes" - ratos, mosquitos, moscas e pardais), a "Grande Campanha dos Pardais", iniciada em 1958, tinha um objectivo extraordinário: reduzir drasticamente as populações chinesas destas pequenas aves, com vista à redução dos grãos (de arroz e não só) "ilegitimamente" consumidos pelas ditas.
O resultado subjacente seria óbvio: ao se reduzir o número de aves, aumentava-se o número de grãos disponíveis para a população. Mais grãos, menos fome e maior riqueza.
Num certo dia, e durante horas, todas as aves avistadas foram perseguidos, afugentadas com varas e tecidos, assustadas com o som de gongos, panelas e tachos, impedidas de pousar, atingidas com pedras e balas, capturadas com redes e mãos. Uma impressionante quantidade simplesmente... caiu no chão - tal era o cansaço de uma fuga alada prolongada durante horas, sem um único minuto de descanso ou paz. Os ninhos, as posturas e as crias foram liminarmente destruídos.
A China é um país grande - muito grande. A China tem muitos habitantes - muitos, mesmo... E Mao Tsé-Tung era poderoso - imensamente poderoso!
Resultou, portanto! Estima-se que, durante a campanha, foram mortos dois mil milhões de aves.
Mas... (e há sempre um "mas", nestas "coisas da ecologia"...) quem de direito, pelos vistos, não quis ouvir os especialistas. E estes explicavam uma coisa simples: estas aves alimentam-se de sementes durante a maior parte do ano, mas durante a época de reprodução tendem a alimentar-se... de insectos.
Assim, e como é sabido, a campanha falhou. Falhou redondamente! Libertos de 2'000'000'000 (talvez mais) dos seus predadores, muitos mais milhões de insectos proliferaram. E no ano seguinte o país foi avassalado por uma das maiores pragas de gafanhotos da sua história. Nos anos seguintes, devido às perdas relacionadas (entre outras) com o consumo feito pelos insectos, terão morrido 30 a 43 milhões... de humanos - à fome.
E assim falhou uma campanha, assim se desinformou um povo, assim se promoveu um ainda maior desequilíbrio ecológico, assim se aumentou a fome de milhões de humanos e, claro, assim se induziu, irresponsavelmente e em vão, o sofrimento e morte a milhões e milhões e milhões e milhões de inocentes animais (humanos e não humanos). Tudo por causa das "boas intenções" ("boas" para os humanos, claro está).
Como consequência, dois anos depois Mao Tsé-Tung admitiu a burrice e imediatamente a seguir foram importados pardais da Rússia... E declarou-se guerra às baratas!
Mas não é apenas do exemplo dos chineses, dos seus pardais e dos seus políticos que vive este texto. Não é apenas lá longe que se "tenta fazer o bem" sem se "saber bem" o que se esta a fazer...
Os exemplos também são Europeus. E também são Lusitanos...
De golfinhos que arrojam (dão à costa doentes, feridos e/ou cansados, por exemplo) e são prontamente empurrados para o mar, para que "voltem a nadar" [ou seja, "morrer longe"], de cágados que são repetidamente devolvidos à ondulação, de onde desesperadamente pretendem sair (porque foram arrastados para o mar pelas águas de uma ribeira... de água doce), de cães e gatos vadios que são alimentados (mas não castrados) por populares, de "mato" e afins indevidamente desbastados (para "limpar" e "evitar fogos"), de cobras e sardões que são mortos (porque "são perigosos"), de lançamento de balões (para "alertar" o mundo para aquela iniciativa tão importante), de lançar garrafas para o mar (para "comunicar com alguém" e "levar uma mensagem para o outro lado do mundo") está também o nosso país cheio. Peregrinas (e, invariavelmente, perigosas) ideias... Mas ideias carregadas de boas intenções...
A verdade é esta: o Homem é um bicho arrogante, que pensa que sabe sempre o que está a fazer. E que o que está a fazer é o melhor a fazer e está a ser feito da melhor forma. Mas essa "verdade" é, frequentemente, tudo menos isso. E, por isso, sofrem os animais e as plantas, sofremos nós e sofre esta "nossa" Terra.
E lá vamos insistindo em não querer reconhecer (porque já o sabemos) que conectividade biológica, biodiversidade, inteligência, ciência, política e bom-senso são indissociáveis. Lá vamos insistindo em esquecer tristes lições como a dos pardais chineses.
Ora de boas intenções estará, supostamente, o Inferno cheio. Eu, com um triste suspiro, diria que o nosso planeta também...




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