Miau, diz o sapo
A sua vocalização singular inspirou o nome vulgar de um dos anfíbios mais recentemente identificados na Índia, de seu nome vulgar sapo-noturno-miador. De nome científico Nyctibatrachus poocha, onde “poocha” significa gato doméstico no idioma indígena, será fácil de perceber de onde veio a influência para a sua denominação vulgar. Com apenas 3,5 centímetros, este pequeno anfíbio tem hábitos noturnos e muito reservados, razões pelas quais apenas foi identificado agora.
De entre as cerca de 200 espécies de moreias, a moreia mais comum nas nossas costas é a espécie Muraena helena. É uma espécie noturna e bastante territorial, ocupando buracos e fendas de rochas. Alimenta-se de peixes, caranguejos e lulas que preda por emboscada ou em natação livre. Tem a particularidade de não ter qualquer escama na superfície do seu corpo, estando protegida por uma película gelatinosa. A visão é muito escassa, compensando esta característica com a presença de dentes muito afiados.
O peixe mais venenoso
De entre os inúmeros peixes venenosos que exisitem, a medalha de ouro vai para... o peixe-pedra-indiano! De nome científico Synanceia horrida, este é considerado o peixe mais venenoso de todos, inflingindo dores intensas e muitas vezes a morte a pessoas que o pisam inadvertidamente. Este peixe esconde-se imóvel junto ao fundo do mar, assemelhando-se engenhosamente a uma pedra, caçando de emboscada as suas presas. Tem a maior glândula de veneno conhecida em qualquer peixe, cada uma conectada a cada uma das 13 espinhas dorsais. Aparentemente, a dor causada aquando de uma pisadela neste peixe é tão intensa que as vítimas ficam tão desorientadas e aflitas que batem e mordem naqueles que que as tentam ajudar.
Bats, from evolution to conservation
Carismáticos e populares, os morcegos não só são fascinantes na sua própria natureza, mas são ainda veículos pedagógicos para a aprendizagem da maioria dos conceitos e tópicos importantes da biologia dos mamíferos. “Bats, from evolution to conservation” não fala de super-heróis mas dos principais aspectos da biologia de morcegos, incluindo a evolução, vôo, ecolocalização, hibernação, alimentação, reprodução, comportamento social, migração, população e ecologia de comunidades, biogeografia e conservação.
Para os apaixonados pelo tema e não só.
Sob constelações
Jorge Gomes, redator da revista PARQUES E VIDA SELVAGEM
Naquela noite o céu estava azul profundo, como um oceano etéreo.
E enquanto o olhava aconteceu.
Primeiro, quase imperceptível, o desenho de uma garça, asas abertas lá no alto, seguida de outras, com recorte de via láctea.
Ao lado apareciam grupos de outras migradoras... todas a voarem no mesmo fluxo, talvez para norte.
Fiquei ali suspenso, num cenário fantástico, sem tempo definido, suspenso entre o sonho e a vigília, sem recurso a esquecimento.
E agora, quando os invernos são mais curtos, mesmo sem vermos, preparam-se os bateres-de-asa que antecedem a primavera.
Os patos-negros, que passam o inverno no nosso mar, abandonam este habitat e trocam-no pelo de reprodução, na tundra, além dos últimos bosques de vidoeiro, árvores de tronco branco que se riem da neve.
Muito mais a sul, em plena África subsariana, os cucos inquietam-se para retomarem viagens de milhares de quilómetros, até à Europa.
As fêmeas sabem que terão de dar tempo às espécies hospedeiras dos seus ovos para que façam ninho e se entusiasmem na pulsão da corte e da postura, a fim de que os ciclos de vida sincronizem e resultem.
As alvéolas-amarelas vêm também do sul longínquo e aprestam-se a ocupar em dias primaveris os melhores espaços para que às suas crias nada falte no roteiro do alimento e da segurança.
São milhentos os voos que se sucedem, com recortes singulares...
A migração de fim de inverno é habitualmente muito mais rápida do que a outonal.
Esta última é feita em velocidade de cruzeiro, em sobe e desce, se apetecer. Satirizam o mau tempo e dizem: Anda ver se me apanhas!
A primeira é velocipédica: está em jogo a escolha dos melhores “apartamentos” nos habitats de reprodução. Chegar primeiro equivale a alguma ascendência na defesa do pouso.
As próprias gaivotas-de-patas-amarelas que vejo pela janela esta manhã de sábado, em fins de janeiro, já estão nos telhados eleitos para ninho.
Ao contrário das antecessoras desta espécie do litoral, já nem migram, com receio de perderem lugar.
Encostada à chaminé, oculta pela dobra do telhado cor de tijolo, é ali que farão em tempo preciso a postura e tratarão de fazer medrar as suas crias de cor escura.
Nós outros, os primatas que maior impacto causam nos ecossistemas, também prevemos um novo ritmo, com elevada ignorância sobre as migrações marinhas, de peixes, répteis, mamíferos e quejandos...
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, dizia o poeta.
E todos, em inconsciência espontânea, alinhamos pela sua batuta.




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